A piscicultura é uma das atividades que mais cresce no agronegócio brasileiro. O aumento da demanda por pescado, especialmente pela tilápia, abriu grandes oportunidades para pequenos, médios e grandes produtores. Porém, junto com esse crescimento, também aumentaram os desafios de manejo.

Muitos prejuízos não acontecem apenas na hora da venda dos peixes. Na maioria das vezes, eles começam muito antes, ainda durante a criação. Um manejo inadequado pode comprometer o crescimento dos animais, aumentar a mortalidade, elevar o custo de produção e reduzir significativamente a rentabilidade da propriedade.

Na prática, produzir peixe com segurança exige planejamento, monitoramento constante e decisões baseadas em critérios técnicos. Conheça os cinco principais pontos que fazem diferença nos resultados da piscicultura.


Um dos erros mais comuns é colocar peixes demais no mesmo viveiro ou tanque. Embora pareça uma forma de aumentar a produção, o excesso de animais gera diversos problemas.

Quando a densidade é elevada, ocorre maior competição por alimento e oxigênio, aumento do estresse, piora da qualidade da água e maior facilidade para disseminação de doenças.

Uma densidade adequada proporciona diversos benefícios:

  • evita superlotação;
  • reduz o estresse dos peixes;
  • melhora o desempenho zootécnico;
  • favorece o ganho de peso;
  • diminui a mortalidade.

A densidade ideal varia conforme a espécie cultivada, o sistema de produção, a qualidade da água e o nível de tecnologia empregado.


Na piscicultura, muitas enfermidades se espalham rapidamente quando não existe acompanhamento adequado do lote.

Por isso, a inspeção frequente dos peixes é indispensável.

O produtor deve observar diariamente fatores como:

  • comportamento dos peixes;
  • consumo de ração;
  • presença de lesões;
  • alterações na coloração;
  • mortalidade acima do normal.

A prevenção reduz significativamente os gastos com medicamentos, melhora o desempenho do cultivo e evita perdas econômicas.

Boas práticas de biosseguridade, limpeza dos equipamentos e manejo correto também fazem parte de um programa sanitário eficiente.


Em muitos sistemas de criação, a alimentação responde por mais da metade dos custos da piscicultura.

Por isso, oferecer ração em excesso não acelera o crescimento dos peixes. Pelo contrário.

O desperdício de alimento provoca:

  • aumento dos custos;
  • piora da qualidade da água;
  • maior produção de matéria orgânica;
  • redução do oxigênio dissolvido;
  • maior risco de doenças.

O ideal é utilizar uma ração balanceada, específica para cada fase de desenvolvimento, fornecendo apenas a quantidade necessária para o consumo dos peixes.

Além de reduzir desperdícios, essa prática melhora a conversão alimentar e aumenta a lucratividade da atividade.


Uma boa gestão começa pelo acompanhamento dos indicadores de produção.

Realizar pesagens periódicas permite conhecer o ganho de peso do lote e ajustar corretamente a quantidade de ração oferecida.

O planejamento também facilita:

  • previsão da data de venda;
  • programação da despesca;
  • organização da comercialização;
  • redução do tempo em que os peixes permanecem no viveiro sem necessidade.

Essas informações ajudam o produtor a tomar decisões mais eficientes e evitam perdas por atraso na comercialização.


A água é o ambiente onde os peixes vivem durante todo o ciclo produtivo. Qualquer alteração na sua qualidade afeta diretamente o desempenho do cultivo.

Entre os principais parâmetros que precisam ser monitorados estão:

  • oxigênio dissolvido;
  • pH;
  • temperatura;
  • transparência;
  • amônia;
  • alcalinidade.

Quando esses parâmetros ficam fora da faixa recomendada, os peixes reduzem o consumo de alimento, crescem menos, ficam mais suscetíveis a doenças e podem até morrer.

O monitoramento frequente da qualidade da água é uma das medidas mais importantes para manter a produtividade e reduzir prejuízos.


O sucesso da piscicultura depende muito mais do manejo diário do que da quantidade de peixes estocados.

Controlar a densidade, investir em prevenção sanitária, oferecer alimentação adequada, acompanhar o desenvolvimento do lote e monitorar constantemente a qualidade da água são práticas que reduzem custos, melhoram o desempenho dos animais e aumentam a rentabilidade da produção.

Pequenos ajustes feitos ao longo do ciclo produtivo podem representar uma grande diferença no resultado final da atividade.


  • Embrapa Pesca e Aquicultura. Boas práticas de manejo na piscicultura. Palmas: Embrapa.
  • Embrapa Pesca e Aquicultura. Cultivo de Tilápia: recomendações técnicas para sistemas de produção.
  • Embrapa. Qualidade da água para piscicultura.
  • FAO – Food and Agriculture Organization of the United Nations. Aquaculture Development – Good Aquaculture Practices.
  • Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA). Materiais técnicos sobre manejo e produção aquícola.