Na ovinocultura, cada fase do desenvolvimento do ovino tem características próprias de manejo, alimentação, exigências nutricionais e acompanhamento de peso.

Muitos produtores focam apenas no resultado final — seja no abate, na lã ou na reprodução — sem dar a devida atenção ao que acontece nas etapas anteriores. Mas a realidade é que o desempenho de um rebanho começa a ser definido desde os primeiros dias de vida do animal.

👉 Em outras palavras: na ovinocultura, produtividade não depende apenas de raça. Depende de condução correta em cada fase do desenvolvimento.

No criativo de hoje, organizamos a criação em quatro categorias principais, conforme a faixa etária e o sexo: Cordeiro(a), Borrego(a), Ovelha e Carneiro.


O cordeiro recém-nascido depende diretamente do colostro nas primeiras horas de vida para adquirir imunidade passiva. A Embrapa Caprinos e Ovinos destaca que a ingestão adequada de colostro nas primeiras 6 a 12 horas após o parto é determinante para a sobrevivência e o desenvolvimento saudável do animal.

No criativo, essa fase aparece com:

  • idade: até 6 meses
  • peso médio: 20 a 35 kg

Esse intervalo de peso reflete um crescimento que pode ser acelerado ou comprometido dependendo diretamente da qualidade do manejo nos primeiros meses.

O que mais importa nessa fase?

  • ingestão de colostro nas primeiras horas
  • acompanhamento da amamentação ou do aleitamento artificial
  • controle sanitário (vermifugação, vacinação conforme calendário)
  • ambiente limpo, seco e protegido do frio
  • acompanhamento do ganho de peso

👉 Um cordeiro que começa mal dificilmente expressa o potencial genético da raça nas fases seguintes.


Segundo orientações técnicas da Embrapa, essa é uma fase crítica para a definição do frame corporal do animal — ou seja, a estrutura que vai sustentar o desenvolvimento futuro, tanto para fins de corte quanto para reprodução.

No criativo, essa fase aparece com:

  • idade: a partir de 6 meses
  • peso médio: 35 a 55 kg

É nessa fase que o produtor precisa ter atenção redobrada com a qualidade da forragem oferecida, o controle de endoparasitas (um dos principais problemas da ovinocultura brasileira) e a separação dos animais por sexo, quando necessário.

Pontos importantes nessa fase:

  • qualidade e quantidade da alimentação (pasto ou suplementação)
  • monitoramento do escore de condição corporal
  • controle de verminose (FAMACHA e exames coprológicos)
  • separação de machos e fêmeas conforme manejo reprodutivo
  • acompanhamento do desenvolvimento estrutural

👉 Quanto melhor for a condução nessa fase, maior a eficiência produtiva do animal na fase adulta.


A Embrapa Caprinos e Ovinos orienta que a condição corporal da ovelha deve ser monitorada ao longo de todo o ciclo produtivo — especialmente nos períodos de cobertura, gestação e lactação — pois ela impacta diretamente na fertilidade, no número de cordeiros nascidos e no peso ao desmame.

No criativo, essa fase aparece com:

  • idade: acima de 18 meses
  • peso médio: 55 a 80 kg

Esse intervalo é coerente com as principais raças de aptidão mista e de corte exploradas no Brasil, como Santa Inês, Dorper e seus cruzamentos.

O que acompanhar na ovelha adulta:

  • escore de condição corporal (ECC) em cada fase do ciclo reprodutivo
  • diagnóstico de gestação
  • manejo nutricional no terço final da gestação
  • controle sanitário pré e pós-parto
  • produção e qualidade do leite para os cordeiros

👉 A eficiência reprodutiva da ovelha é um dos principais indicadores de rentabilidade do rebanho ovino.


Um carneiro bem manejado, com boa condição corporal e saúde reprodutiva comprovada, pode cobrir entre 30 e 50 fêmeas por temporada em monta natural controlada, conforme recomendações técnicas para rebanhos comerciais.

No criativo, essa fase aparece com:

  • idade: acima de 18 meses
  • peso médio: 70 a 110 kg

Esse peso é representativo de reprodutores de raças de corte consolidadas no Brasil, como Dorper, Suffolk e cruzamentos com Santa Inês.

O que observar no carneiro reprodutor:

  • condição corporal e peso antes da estação de monta
  • exame andrológico periódico
  • controle sanitário e vermifugação
  • relação macho/fêmea adequada ao sistema
  • descanso sexual fora da estação de monta

👉 O carneiro representa 50% do potencial genético do rebanho. Negligenciar seu manejo é comprometer a produção do ano inteiro.


Na prática, muitos erros da ovinocultura acontecem porque o produtor trata os animais de forma homogênea, sem considerar que cada categoria tem exigências nutricionais, sanitárias e de manejo completamente diferentes.

O que funciona para um cordeiro em aleitamento não é o mesmo que funciona para uma ovelha no terço final da gestação. O foco do manejo de um borrego em crescimento não é igual ao de um carneiro em pré-estação de monta.

Quando o produtor entende isso, ele consegue:

✔ ajustar a suplementação por categoria animal ✔ melhorar o ganho de peso nos jovens ✔ aumentar a eficiência reprodutiva das fêmeas ✔ reduzir perdas por verminose e outras doenças ✔ tomar decisões de descarte e seleção com mais critério

👉 E no fim, isso significa mais resultado com menos desperdício de recurso e de animal.


A consequência prática disso é:

  • cordeiros competindo por alimento com animais adultos
  • ovelhas chegando à gestação com escore corporal inadequado
  • carneiros perdendo condição antes da estação de monta
  • alta taxa de verminose por falta de monitoramento individualizado
  • perdas no desmame por má performance da ovelha na lactação

Ou seja: o rebanho que não é manejado por categoria produz menos, gasta mais e deixa dinheiro na mesa.


A ovinocultura moderna exige acompanhamento técnico por categoria animal. Não basta apenas colocar os animais no pasto e aguardar o crescimento.

É preciso entender:

  • a fase em que cada animal se encontra
  • o peso esperado para a idade
  • a exigência nutricional de cada categoria
  • o calendário sanitário adequado
  • os indicadores de desempenho do rebanho

👉 Quanto mais técnica for a condução do rebanho, maior a chance de alcançar melhor desempenho produtivo e reprodutivo.


Entender as fases de criação dos ovinos ajuda o produtor a enxergar o rebanho de forma mais estratégica e menos improvisada.

No Curso Profissional de Criação & Saúde Animal da Educa Agro EAD, esse tipo de conteúdo integra a formação porque mostra como a produção animal eficiente envolve planejamento, observação e tomada de decisão em cada etapa do desenvolvimento do animal.

Isso muda a forma de conduzir o rebanho, melhora a leitura do sistema e reduz erros que poderiam comprometer o resultado final da criação.


A ovinocultura não é apenas um processo de criação simples. É uma sequência de fases — do cordeiro ao animal adulto — que precisam ser conduzidas com atenção técnica para que o rebanho expresse o máximo do seu potencial produtivo.

De Cordeiro(a) a Ovelha e Carneiro, cada categoria tem seu papel dentro do sistema.

👉 E quem entende esse ciclo, produz melhor.

Na ovinocultura, resultado não vem só da raça. Vem do manejo certo, na fase certa.