Na pecuƔria, a base de tudo estƔ no que o animal come.
E no Brasil, essa base tem nome: forrageira. Cerca de 95% da carne bovina produzida no paĆs vem de animais criados a pasto ā o que coloca as plantas forrageiras no centro de todo o sistema de produção pecuĆ”ria nacional.
Mas apesar de tĆ£o fundamental, muitos produtores ainda escolhem a forrageira pela tradição, pela disponibilidade de semente ou pela indicação do vizinho ā sem considerar as caracterĆsticas tĆ©cnicas de cada espĆ©cie e a adequação ao seu sistema de produção.
š Em outras palavras: conhecer as forrageiras Ć© o primeiro passo para tomar decisƵes mais tĆ©cnicas sobre a alimentação do rebanho ā e a alimentação Ć© o maior custo da pecuĆ”ria.
No conteĆŗdo de hoje, explicamos o que Ć© uma forrageira e apresentamos seis das mais usadas no Brasil, com suas caracterĆsticas tĆ©cnicas e aplicaƧƵes.
š± Afinal, o que Ć© uma forrageira?
Forrageira Ć© toda planta cultivada para alimentar o rebanho ā seja consumida diretamente no pasto, seja conservada na forma de silagem ou feno.
As forrageiras se dividem em grandes grupos, mas as gramĆneas tropicais sĆ£o as mais usadas na pecuĆ”ria brasileira. Elas combinam alta produção de massa, boa adaptação ao clima e custo de produção muito menor do que qualquer outra forma de alimentação animal.
A escolha da forrageira correta considera fatores como:
- fertilidade e tipo de solo da propriedade
- clima e regime de chuvas da região
- sistema de produção ā extensivo, intensivo ou rotacionado
- objetivo ā pastejo direto, feno ou silagem
- capacidade de investimento em manejo e adubação
š¾ Capim-Marandu (Brachiaria brizantha) A mais plantada do Brasil | ProteĆna bruta: 7% ā 10% | Uso: pastagem
O capim-marandu Ć© a forrageira mais plantada do Brasil ā referĆŖncia absoluta na pecuĆ”ria de corte nacional. Sua popularidade vem da combinação de rusticidade, boa produtividade e resistĆŖncia Ć cigarrinha-das-pastagens, uma das principais pragas das forrageiras tropicais.
Ć uma espĆ©cie de fĆ”cil manejo e boa adaptação a diferentes condiƧƵes, o que a torna a escolha padrĆ£o para a maioria dos sistemas de pastagem do paĆs.
Pontos de destaque:
- forrageira mais utilizada no Brasil
- rústica e de fÔcil estabelecimento
- resistente Ć cigarrinha-das-pastagens
- boa produtividade em solos de mƩdia fertilidade
š¾ Capim-MombaƧa (Panicum maximum) Preferida dos bovinos | ProteĆna bruta: 9% ā 13% | Uso: pastagem intensiva
O capim-mombaƧa Ć© uma das forrageiras mais produtivas e nutritivas disponĆveis no Brasil. Com alto teor de proteĆna bruta e excelente produção de massa por hectare, Ć© a escolha de quem busca intensificar a produção a pasto.
à especialmente indicado para sistemas de pastejo rotacionado, onde sua alta capacidade de rebrota e produção permitem maior lotação animal por Ôrea.
Pontos de destaque:
- alta produção de massa por hectare
- maior teor de proteĆna que o marandu
- ideal para pastejo rotacionado e alta lotação
- exige solo de melhor fertilidade e manejo mais tƩcnico
š¾ Capim-TanzĆ¢nia (Panicum maximum) Usada em sistemas intensivos | ProteĆna bruta: 9% ā 12% | Uso: pastagem
O capim-tanzânia é da mesma espécie do mombaça e também se destaca em sistemas intensivos de produção. Tem boa produção de massa, alta palatabilidade e é bem aceito pelos bovinos.
à uma opção consolidada para produtores que querem intensificar a pastagem com uma forrageira de comportamento jÔ bem conhecido no campo.
Pontos de destaque:
- boa produção de massa e alta palatabilidade
- bem aceita pelos bovinos
- indicada para sistemas intensivos
- exige fertilidade e manejo adequados
š¾ Tifton 85 (Cynodon) ReferĆŖncia para feno | ProteĆna bruta: 10% ā 15% | Uso: pastagem e feno
O Tifton 85 Ć© a principal referĆŖncia quando o assunto Ć© produção de feno no Brasil. Diferente das outras forrageiras desta lista, Ć© uma gramĆnea de porte mais baixo e crescimento rasteiro, com alta digestibilidade e excelente produção de matĆ©ria seca.
Ć amplamente usado tanto em pastejo quanto na fenação ā especialmente na pecuĆ”ria leiteira e na criação de equinos, que demandam feno de alta qualidade.
Pontos de destaque:
- referência nacional para produção de feno
- alta digestibilidade e bom teor de proteĆna
- ótima produção de matéria seca
- exige manejo intensivo e boa fertilidade
šæ Capim-Elefante / CapiaƧu (Pennisetum) Muito usado no leite | ProteĆna bruta: 8% ā 12% | Uso: corte e cocho
O capim-elefante ā e especialmente a cultivar CapiaƧu, desenvolvida pela Embrapa ā Ć© a forrageira de maior produção de massa por hectare entre as desta lista. Ć usado principalmente no sistema de corte e fornecimento direto no cocho, o “capineira”.
à muito utilizado na pecuÔria leiteira, onde a alta produção de volumoso por Ôrea permite alimentar mais animais em menos espaço.
Pontos de destaque:
- maior produção de massa por hectare
- muito usado na pecuƔria leiteira
- sistema de corte e fornecimento no cocho
- ótima alternativa para propriedades com pouca Ôrea
š¾ Capim-XaraĆ©s (Brachiaria brizantha) Boa para terminação a pasto | ProteĆna bruta: 8% ā 11% | Uso: pastagem
O capim-xaraĆ©s Ć© da mesma espĆ©cie do marandu, mas com caracterĆsticas próprias que o tornam uma boa opção para terminação a pasto. Tem alta produção de forragem e boa capacidade de recuperação após o pastejo.
Ć uma forrageira que combina produtividade com boa rebrota, adequada para sistemas que buscam ganho de peso consistente na fase final da engorda.
Pontos de destaque:
- boa opção para terminação a pasto
- alta produção de forragem
- boa recuperação após o pastejo
- adaptada a diferentes condiƧƵes de manejo
š Como escolher a forrageira certa para a propriedade?
NĆ£o existe a forrageira perfeita ā existe a mais adequada para cada sistema, solo, clima e objetivo de produção.
ā Para pasto extensivo de baixo custo ā Marandu pela rusticidade ā Para pastejo rotacionado intensivo ā MombaƧa ou TanzĆ¢nia pela produtividade ā Para produção de feno ā Tifton 85 pela digestibilidade ā Para corte e cocho na pecuĆ”ria leiteira ā Capim-Elefante/CapiaƧu pela massa ā Para terminação a pasto ā XaraĆ©s pela produção e rebrota
š A escolha tĆ©cnica da forrageira tem impacto direto na lotação por hectare, no ganho de peso e no custo de produção do rebanho.
ā ļø O erro mais comum na escolha da forrageira
Um dos erros mais frequentes Ć© escolher uma forrageira de alta exigĆŖncia ā como mombaƧa ou tifton ā para um solo de baixa fertilidade, sem o manejo e a adubação adequados.
O resultado é uma pastagem que não expressa o potencial produtivo da espécie, degrada rapidamente e frustra o investimento feito na implantação. Forrageira exigente em solo pobre sem correção é dinheiro desperdiçado.
š A forrageira precisa ser compatĆvel com a realidade da propriedade ā nĆ£o apenas com a ambição do produtor.
š± Pastagem bem manejada Ć© o pilar da pecuĆ”ria a pasto
A forrageira Ć© apenas o comeƧo. O resultado depende do manejo correto da pastagem ā adubação, ajuste de lotação, perĆodo de descanso e controle de plantas invasoras.
Uma pastagem bem manejada produz mais, dura mais e sustenta mais animais por hectare ā reduzindo o custo de produção e aumentando a rentabilidade do sistema.
š Conhecimento tĆ©cnico transforma o pasto em resultado
Entender as forrageiras, suas caracterĆsticas e suas exigĆŖncias Ć© parte da formação de quem trabalha com pecuĆ”ria a pasto de forma profissional.
No Curso Profissional de Criação & SaĆŗde Animal da Educa Agro EAD, manejo de pastagens e nutrição animal integram a formação porque a pecuĆ”ria eficiente comeƧa no pasto ā e o pasto comeƧa na escolha tĆ©cnica da forrageira.
ā ConclusĆ£o
Marandu, mombaƧa, tanzĆ¢nia, tifton 85, capim-elefante e xaraĆ©s ā seis forrageiras, cada uma com caracterĆsticas, exigĆŖncias e aplicaƧƵes especĆficas.
Conhecer as opƧƵes e escolher a forrageira certa para cada sistema Ʃ o que transforma o pasto na base de uma pecuƔria produtiva e rentƔvel.
š Na pecuĆ”ria a pasto, tudo comeƧa na forrageira.
