O calendário de desenvolvimento da soja é uma das ferramentas mais importantes para o manejo eficiente da cultura. Ele organiza, de forma cronológica, todas as fases fenológicas da planta, indicando quando cada processo fisiológico ocorre e quais decisões técnicas devem ser tomadas em cada etapa.
Conhecer essas fases permite planejar corretamente adubação, manejo nutricional, controle de pragas e doenças, uso de defensivos, irrigação e práticas culturais, evitando desperdícios e reduzindo riscos produtivos.
Segundo a EMBRAPA, o acompanhamento das fases VE a R8 é essencial para atingir máximo potencial produtivo, pois cada estágio apresenta exigências fisiológicas específicas.
Fases vegetativas da soja (VE a V4)
🔹 VE – Emergência (≈ 10 dias | intervalo de 7 a 21 dias)
Essa fase marca a emergência da plântula, quando os cotilédones rompem o solo.
É um período extremamente sensível, onde:
- A qualidade do plantio influencia diretamente o estande
- Problemas de compactação, excesso de umidade ou falhas de germinação ficam evidentes
- Pragas iniciais e doenças de solo podem comprometer a lavoura
📌 Decisão crítica: avaliação do estande e uniformidade da emergência.
🔹 VC – Cotilédones abertos (≈ 20 dias | 20 a 30 dias)
Aqui os cotilédones estão totalmente abertos e iniciam a fotossíntese.
A planta começa sua estruturação inicial, preparando-se para o crescimento vegetativo.
📌 Atenção especial para:
- Plantas daninhas
- Deficiências nutricionais iniciais
- Condições de solo e clima
🔹 V1 – Primeiro trifólio (≈ 25 dias | 25 a 30 dias)
A planta apresenta o primeiro trifólio completamente desenvolvido, indicando crescimento ativo.
Nesse estágio:
- A demanda nutricional começa a aumentar
- A raiz aprofunda-se no solo
- O manejo de plantas daninhas é decisivo
🔹 V2 – Segundo trifólio (≈ 30 dias | 30 a 35 dias)
A soja entra em crescimento vegetativo acelerado, com maior área foliar.
📌 Manejo recomendado:
- Correções nutricionais
- Monitoramento fitossanitário
- Avaliação do vigor da lavoura
🔹 V3 e V4 – Desenvolvimento vegetativo avançado (≈ 35 dias | 35 a 40 dias)
Fase de expansão rápida da parte aérea, onde a planta estrutura sua capacidade produtiva futura.
📌 Qualquer estresse aqui reflete diretamente na produtividade final.
Fases reprodutivas da soja (R1 a R8)
🔹 R1 – Início do florescimento (≈ 45 dias | 40 a 50 dias)
Marca a transição do crescimento vegetativo para o reprodutivo.
A soja inicia a formação das flores, definindo parte do potencial de vagens.
📌 Momento crítico para:
- Nutrição equilibrada
- Controle rigoroso de pragas e doenças
- Evitar estresse hídrico
🔹 R2 – Florescimento pleno (≈ 50 dias | 45 a 55 dias)
Grande parte da planta apresenta flores abertas.
É uma das fases mais sensíveis da cultura.
📌 Falhas nessa etapa podem reduzir drasticamente o número de vagens.
🔹 R3 – Início da formação de vagens (≈ 60 dias | 50 a 70 dias)
As primeiras vagens começam a se formar.
A planta direciona energia para a produção de estruturas reprodutivas.
📌 Controle fitossanitário é essencial, pois perdas aqui impactam diretamente o rendimento.
🔹 R4 – Vagens desenvolvidas (≈ 70 dias | 65 a 75 dias)
As vagens estão formadas, mas ainda sem enchimento completo dos grãos.
📌 Qualquer estresse pode resultar em aborto de vagens.
🔹 R5 – Enchimento de grãos (≈ 80 dias | 75 a 85 dias)
Fase de maior demanda nutricional e hídrica da soja.
Define peso e qualidade dos grãos.
📌 Erro nessa fase = perda direta de produtividade.
🔹 R6 – Grãos completamente formados (≈ 90 dias | 85 a 95 dias)
Os grãos já atingiram seu tamanho máximo, iniciando a maturação fisiológica.
📌 Redução gradual das práticas de manejo intensivo.
🔹 R7 – Início da maturação (≈ 110 dias | 105 a 115 dias)
A planta começa a perder coloração verde, indicando maturação.
📌 Preparação para colheita.
🔹 R8 – Maturação plena (≈ 120 dias | 105 a 125 dias)
A soja atinge seu ponto final de desenvolvimento.
Os grãos estão fisiologicamente maduros.
📌 Colheita no momento correto evita perdas por debulha, umidade excessiva ou deterioração.
Por que dominar o calendário fenológico da soja?
De acordo com a EMBRAPA, o uso correto das fases fenológicas permite:
- Melhor planejamento das operações agrícolas
- Uso mais eficiente de insumos
- Redução de perdas por manejo inadequado
- Aumento da produtividade e da rentabilidade
👉 Quem entende a fase da planta, sabe exatamente o que fazer no campo.
Esse conhecimento não é opcional — é base técnica para qualquer profissional ou produtor que trabalha com soja.







